// Profecias
Fátima
A 13 de Maio de 1917, em Fátima, Portugal, três crianças, Lúcia, Francisco e Jacinta, disseram ter visto e falado com Nossa Senhora. Assim começa uma das mais famosas e respeitadas aparições desta santa católica, seguida de novas aparições no mesmo lugar a 13 de Junho, 13 de Julho, 15 de Agosto, 13 de Setembro e 13 de Outubro desse mesmo ano. Na última delas, a 13 de Outubro, cerca de sessenta mil pessoas presenciaram um milagre: pouco depois do meio-dia, o sol pareceu deslocar-se no céu, girando e movendo-se em todas as direcções antes de voltar ao seu lugar passados alguns minutos.
Das três crianças, Jacinta e Francisco morreram ainda muito novos. Lúcia viveu muitos anos mais. Os segredos que Nossa Senhora transmitiu às crianças na tarde de 13 de Julho de 1917, nas próprias palavras da Irmã Lúcia, “constam de três coisas distintas”:
- Primeiro, a visão do inferno.
- Segundo, a punição do mundo.
- Terceiro, durante muito tempo guardado, mas que se acredita completar a segunda parte.
Sobre essa terceira parte sempre houve suspeita. No seu livro sobre as aparições, baseado nos manuscritos da Irmã Lúcia, António Borelli Machado nota que, no prefácio da edição brasileira dos seus escritos, o Padre António Maria Martins afirma, de modo categórico, que a terceira parte do segredo, cujo texto ainda não fora divulgado, “trata apenas da chamada Crise da Igreja”. Não explica como soube disso, nem acrescenta mais nada.
Há, portanto, razão para suspeitar que o terceiro segredo, tão cuidadosamente guardado pelo Vaticano, possa confirmar outros avisos de uma futura perseguição aos cristãos. À mesma conclusão somos levados por uma visão que Jacinta teve e relatou a Lúcia:
“Não sei como foi, eu vi o Santo Padre numa casa muito grande, de joelhos diante de uma mesa, com as mãos no rosto a chorar. Fora da casa estava muita gente, e uns atiravam-lhe pedras, outros rogavam-lhe pragas e diziam-lhe muitas palavras feias. Coitadinho do Santo Padre, temos que pedir muito por ele.”
Em 1944, a Irmã Lúcia escreveu o terceiro segredo e enviou-o ao Bispo de Leiria, que o fez chegar à Nunciatura Apostólica em Lisboa, e dali ao Vaticano. Por declaração da própria, o segredo só poderia tornar-se público a partir de 1960, e no entanto esse ano passou sem que tal acontecesse. Em 1967, o Papa Paulo VI passou mal e desmaiou depois de ler o terceiro segredo de Fátima, e foi anunciada a sua decisão de não o revelar.
Foi o Papa João Paulo II quem finalmente o abriu. Numa visita ao Santuário de Fátima a 13 de Maio de 2000, para beatificar as duas crianças videntes já falecidas, Jacinta e Francisco, revelou parte do terceiro segredo. A 26 de Junho de 2000, o Vaticano divulgou enfim o texto completo, pelo próprio punho da Irmã Lúcia. Diz assim:
“J.M.J. A terceira parte do segredo revelado a 13 de Julho de 1917 na Cova da Iria, Fátima.
Escrevo em acto de obediência a Vós, Deus meu, que mo mandais por meio de Sua Excelência o Senhor Bispo de Leiria e da Vossa e minha Santíssima Mãe.
Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um Anjo com uma espada de fogo na mão esquerda. Ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo, mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita Nossa Senhora lhes lançava ao encontro. O Anjo, apontando com a mão direita para a terra, disse em voz forte: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos numa luz imensa que é Deus, algo semelhante a como se vêem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante, um Bispo vestido de branco. Tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre. Vários outros Bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas subiam uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos, como se fosse de sobreiro com a casca. O Santo Padre, antes de lá chegar, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo, com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho. Chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz, foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas. E assim mesmo foram morrendo, uns atrás dos outros, os Bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas e várias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de várias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos, cada um com um regador de cristal na mão, neles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus.”